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Biogeografia

Pertencente a área das ciências biológicas a biogeográfia estuda a distribuição dos seres vivos no espaço e através do tempo. Sendo assim a distribuição da vida com base em sua dinâmica na escala espacial e temporal no planeta Terra.
(Entender a forma como os organismos estão distribuídos no planeta - "por que os organismos estão onde estão?" - é estudar o seu padrão de distribuição.)
As origens desta ciência encontram-se nos estudos de Alfred Russel Wallace no arquipélago malaio. Ele descreveu inúmeras espécies desse arquipélago e notou que a norte, em determinada área, as espécies eram relacionadas com espécies do continente asiático enquanto que, nas ilhas mais ao sul, as espécies tinham ligação com as espécies do continente australiano. Esta conclusão levou a uma posterior delimitação e mapeamento das áreas estudadas por Wallace, sendo que tais áreas receberam mais tarde a denominação de "Linha de Wallace".



De Candolle (1820): Biogeografia Ecológica e Histórica


A Biogeografia foi dividida em duas sub-áreas pelo botânico Candolle:

Biogeografia Ecológica
A biogeografia ecológica estuda os processos ecológicos que ocorrem a curto prazo atuam sobre o padrão de distribuição dos organismos;
Analisa a distribuição dos seres vivos em função de suas adaptações às condições atuais do meio.

Biogeografia Histórica
Já a Biogeografia Histórica os processos ecológicos que ocorrem a longo prazo atuam sobre o padrão de distribuição dos organismos;
Explica a distribuição dos seres vivos em função de fatores históricos.

A Divisão entre a Biogeografia Ecológica vs. Histórica


Tanto a  "ecologia" quanto a "história" têm desempenhado papéis lado a lado desde sempre, é claro que elas estão indissoluvelmente "amarradas" uma à outra. Sendo assim, tal divisão (e oposição) tem imposto mais obstáculos que benefícios ao desenvolvimento da ciência biogeográfica (Morrone, 1993, 2004; Crisci, 2001).

Diversos são os fatores que influenciaram e têm influenciado o modo como os organismos estão distribuídos no planeta: tectônica de placas, soerguimentos, estreitamento/ alargamento do leito de um rio, glaciações, fisionomias vegetacionais, clima, umidade, correntes marinhas, etc. Sendo assim, torna-se extremamente difícil estabelecer uma linha divisória entre o que seria um fator "ecológico"ou "histórico".

Divisões biogeográficas", a saber:


Divisões biogeográficas", a saber:

Região Paleártica: Compreende todo o continente europeu, norte da África até o deserto do Saara, o norte da Península Arábica e toda Ásia ao norte do Himalaia, incluindo China e Japão.
Região Neoártica: Toda a América do Norte, indo até a fronteira sul do México.
Região Neotropical: Estende-se do centro do México até o extremo sul da América do Sul.
Região afro-tropical ou etiópica: compreende a África sub-saariana e os dois terços mais ao sul da península arábica.
Região indo-malaia: composta pelo subcontinente indiano, sul da China, Indochina, Filipinas e a metade Ocidental da Indonésia.
Região australiana: o restante mais a leste da Indonésia, ilha de Nova Guiné, Austrália e Nova Zelândia.
Região oceânica: as demais ilhas do oceano Pacífico.



O funcionamento cientifico da Biogeografia Histórica




    




 O Pai da Biogeografia Vicariante -LEÓN CROIZAT


O botânico e biogeógrafo León Croizat edificou as bases sobre o que entendemos hoje como Biogeografia Vicariante. Ele falou uma das mais célebres frases já proferidas na Biogeografia: "life and earth evolve together" (Croizat, 1964). Este italiano, que se erradicou na Venezuela onde viveu até o fim de sua vida, quis mostrar ao mundo que a vida e o planeta são co-relacionados em sua história. Ou seja, a história geológica pode ajudar-nos a compreender a história dos organismos, assim como a história dos organismos pode ajudar-nos a entender a história de nosso planeta. Antes mesmo do conhecimento da deriva continental e tectônica de placas, Croizat já dava mostras, pelo seus estudos de padrão de distribuição de plantas, que os continentes se movimentavam. Chegou a concluir que os oceanos Atlântico, Índico e Pacífico já foram mais próximos entre si no passado do que da forma como são hoje conhecidos (ver Craw, 1984).

A partir dos preceitos de Croizat surge o pensamento vicariante, contraposto diretamente ao pensamento dispersalista, paradigma dominante à época.


Padrão e Processos...


Para compreender o padrão de distribuição dos organismos é preciso estar consciente de que este padrão decorre da interação de dois tipos de processos. Estes são os processos espaço-temporais dos organismos vivos (bióticos) e do planeta (abióticos); são processos que ocorrem diversamente no espaço ao longo do tempo.






Os processos espaço-temporais dos seres vivos


Os processos espaços-temporais são: extinção, dispersão e vicariância.


Dificuldades na inferência dos tipos de processos


 Há grandes dificuldades impostas que tornam problemática a inferência do tipo de processo que gerou o padrão de distribuição que vemos no presente. A maior dificuldade de se trabalhar com áreas da ciência biológica que lidam diretamente com a recontrução do passado (sistemática, biogeografia, genética evolutiva, ecologia evolutiva) é sempre imposta pelo seguinte paradoxo: não pudemos ver o passado acontecendo, muito menos temos algum testemunho desse passado (escassez de fósseis), sendo assim, estudos históricos são geralmente feitos com base em informações contemporâneas. O quadro abaixo exemplifica o problema em relação à biogeografia.



No primeiro caso, houve especiação pré-barreira geográfica, ou seja, houve diferenciação da espécie ancestral nas espécies A e B SEM barreira geográfica. Somente depois é que surgiu uma barreira geográfica entre A e B. Com base nas evidências atuais, concluiríamos incorretamente que ocorreu especiação por isolamento geográfico (alopatria, vicariância).
No segundo caso, houve realmente especiação pelo surgimento de uma barreira geográfica que fez com que a espécie ancestral se diferenciasse em duas espécies, uma de cada lado da barreira. Posteriormente, essa barreira geográfica desapareceu. Com base nas evidências atuais, concluiríamos incorretamente que não houve vicariância ou especiação com barreira geográfica, porque não há dados que nos mostrem que a barreira tenha existido no passado.


Os processos espaço-temporais do planeta


Os tipos de processos espaço-temporais que podemos citar, como: tectônica de placas, alterações no nível do mar, ciclos glaciais, etc. No quadro abaixo, está exemplificado a movimentação das grandes massas continentais ao longo do tempo.










(modificado de Paleomap Project)







REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

Crisci, J.V. 2001. The voice of historical biogeography. Journal of Biogeography, 28: 157–168.
Crisci J.V., Katinas L. & Posadas P. 2003. Historical biogeography: an introduction. Cambridge, Harvard University Press.
Craw, R.C. 1984. Biogeography and biogeographical principles. New Zealand Entomologist, 8:49-52.
Croizat, L. 1964. Space, time, form: the biological synthesis. Publicado pelo autor, Caracas. (Disponível em 
Morrone, J.J. 1993. Beyond binary oppositions. Cladistics, 9: 437–438.
Morrone, J.J. 2004.  Homología biogeográfica: las coordenadas espaciales de la vida. Cuadernos del  Instituto de Biología 37, Instituto de Biología, UNAM, México D.F.
http://www.ib.usp.br/ visitado em 15/04/2014
http:///www.infoescola.com/ciencias/biogeografia// visitado em 15/04/2014


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